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Pensamento do Dia

Seja Cristo o centro único de nossas vidas. Cristo pereniza a Igreja e dá sentido e vitalidade à nossa vocação. (Maria Villac - Fundadora - 15.12.1967)

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NOSSA HISTÓRIA

 

TUDO TEM UM PRINCÍPIO

 

MISSIONÁRIAS DE JESUS CRUCIFICADO

Congregação brasileira, fundada em Campinas/SP em 03/05/1928.

 

   
Madre Maria Villac Dom Barreto



Maria Villac
, uma jovem campineira com 19 anos, sonhava ir longe, bem longe do Brasil, para responder ao

CHAMADO de Deus - ser religiosa, numa Congregação na Bélgica. Mas, a 1ª grande guerra mundial fez com que

Maria ficasse em Campinas.

 

GANHANDO COMPANHEIRAS

 

Jovem de muita fé, na experiência da vida ia descobrindo o que Deus lhe pedia. Um carisma muito especial brotava de

sua simplicidade de vida. Muitas outras jovens perceberam isso, procuravam Maria, para receber orientação

espiritual.

  

E, entre estas jovens, a ação do Espírito foi-se manifestando. O grupo foi crescendo, numericamente e em

compromisso. A devoção a Jesus Crucificado que Maria Villac cultivava, irradiava-se por este grupo e enchia a todas

de uma espiritualidade dinâmica. Todas estas jovens estavam cheias do zelo missionário. Fé e ação; oração e missão

- era a força motriz do grupo.

  

Assim este grupo foi se fortalecendo, porque Jesus Crucificado era o grande fundamento de suas vidas.

  

BEM LONGE DALI...

  

Enquanto isto acontecia em Campinas, já em Pelotas-RS, outros sinais de Deus iam se manifestando. Dom Francisco

de Campos Barreto, também campineiro, estava lá como 1º Bispo daquela Diocese.

  

Agia como um profeta. Enquanto a Igreja Católica se preocupava mais com as elites, ele revelou seu amor

preferencial pelos Operários, dedicando-se à promoção espiritual deles.

  

Deus "aproximou" Maria e Francisco, para que um grande sonho se realizasse. Dom Barreto foi nomeado 2º Bispo de

Campinas.

  

Como uma bonita e bem alicerçada construção, a base estava solidificada.

  
Em Maria Villac crescia, a cada dia, o ideal, o companheirismo, a vida de oração; em Dom Barreto, o zelo missionário,

 a larga visão de futuro.

  

UM ENCONTRO !

  

Um dia, Maria Villac foi com algumas de suas companheiras até Dom Barreto apresentar-lhe o Regulamento para que

seu grupo se oficializasse como Associação das Missionárias de Jesus Crucificado . Colocaram Dom Barreto a

par dos trabalhos e atividades que exerciam: catequese, visitas às famílias carentes, socorro material, orações,

exercício da Via-Sacra. Dom Barreto entusiasmou-se; aprovou o Regulamento e incentivou o trabalho, com total

apoio.

  

ABRE-SE UM CAMINHO, QUE SERIA LONGO...

  

Assim, o grupo continuava com dinamismo muito grande dentro da Igreja de Campinas, com muitos "centros de

catecismo", nos bairros pobres.

  
Em 1927, essas valorosas jovens já estavam, aproximadamente, com 5 anos de doação ao serviço do Reino de Deus.

Dom Barreto foi despertado por Deus - inspirado pelo Espírito Santo, convidou Maria Villac para transformar aquela  

Associação em uma CONGREGAÇÃO RELIGIOSA, para dar-lhe mais consistência, estabilidade e expansão.
 

  

"E ENTÃO, DONA MARIA, EM QUE FICAMOS ?"

  Foi esta a pergunta de Dom Barreto, depois de haver feito a proposta de fundação da Congregação.

  

 3 de maio de 1928!

Campinas viu nascer esta Congregação, com o nome de: 

    MISSIONÁRIAS DE JESUS CRUCIFICADO

 

 

e com um jeito todo novo, diferente das que existiam na época: na rua, no apostolado, não usar o hábito - traje

religioso. Enquanto a maioria das religiosas não saía de casa à noite, as Missionárias faziam seu apostolado sem esta

preocupação.

  

  

O GRUPO SE ORGANIZA !

  

O grupo inicial era composto de 11 jovens. Iniciaram sua vida comunitária na casa da Família Villac: Hotel d'Europe,

cedido pela família à Congregação.

  

Deixaram suas famílias para ganharem outra, diferente e maior. O "cem por um", da promessa de Cristo se tornava

realidade. Espírito de família foi sempre uma característica forte da Congregação, não só no relacionamento das

Irmãs entre si, mas, também, com suas famílias.

  

Cuidando do aprimoramento da formação das Irmãs, semanalmente Dom Barreto reunia-se com elas e, juntos, iam  

elaborando os traços da vida comunitária, espiritualidade, missão e aprofundamento bíblico-teológico.

  

NEGRAS ? SIM, POR QUE NÃO ?

Receber moças negras foi outra característica da Congregação. Um passo à frente, na Vida Religiosa no Brasil. Hoje

as Irmãs de raça negra e indígena têm seus momentos específicos, para aprofundarem as raízes de suas etnias, viver

a espiritualidade afro-indígena e participar de movimentos das Raças Negra e Indígena, que têm como objetivo

resgatar os valores de suas culturas.

  

OS ANOS SE PASSARAM...

Visitas, reuniões com operários, Ação Católica, obras de misericórdia, catequese. Em 1955 as Missionárias de Jesus

Crucificado organizaram o Departamento de Estatística da Conferência dos Religiosos do Brasil, no Rio de Janeiro,

departamento que deu origem ao CERIS, onde as Irmãs atuaram, também, até 1970. Neste ano, atendendo a uma

solicitação de Roma, um grupo de Irmãs assumiu o Serviço de Estatística do Vaticano, e lá ficaram por 11 anos. Foi a

primeira Comunidade no exterior, embora não em função de ação missionária, propriamente dita.

  

Hoje as Missionárias de Jesus Crucificado continuam a viver o Carisma missionário indo em busca dos mais

necessitados, dos que sofrem injustiças e toda sorte de abandono nos lugares mais difíceis e "além mares",

impulsionadas pelo amor a Jesus Crucificado.

  

CARISMA

O Espírito conduz sua Igreja para a realização da missão de Jesus na terra, e vai suscitando CARISMAS diferentes,

através dos tempos, segundo as necessidades de cada época.

  

Dom Barreto disse: - "Nunca tive a idéia de fundar uma Congregação como as que aí existem. Não haveria vantagem".

 

QUAL O CONTEXTO DAQUELA ÉPOCA ?

- trabalhadores sem direitos e desrespeitados,

- crianças órfãs e abandonadas,

- idosos/as sem amparo e assistência,

- congregações mantendo colégios para filhas das famílias mais ricas.

- o ateísmo se espalhando e ameaçando a integridade da Fé

 

Dom Barreto deixou claro: - "a finalidade específica visa a salvação das almas, diretamente". E, nesse diretamente  

estava toda a novidade da Congregação. - "dedicar-se com afinco e sem restrições, ao bem do próximo, onde quer

que sejam reclamadas"...

  

"IR EM BUSCA"! "- devem espontaneamente visitar as famílias... de preferência visitarão casa por casa, nos bairros

 operários... visitarão as fábricas, os cárceres, as casas dos pobres... ". Consciente da originalidade da Congregação

 que ele e Maria Villac acabaram de fundar, ensinou às Irmãs: - "A Missionária não significa estabilização, mas anda

 sempre adiante, não deve ficar esperando que o trabalho venha em suas mãos. Deve ir sempre em busca..."

 

 

 

 ESPIRITUALIDADE

Com um pé no mundo e outro no convento

 

 

"A necessidade da Igreja é a das senhoras: pé na rua . As senhoras foram chamadas para o trabalho das almas,

 tendo por clausura a rua e a casa dos mais necessitados".

 

O segredo das Missionárias de Jesus Crucificado, no " ir em busca " estava na mesma fonte que encorajou os

Apóstolos: um CRUCIFICADO .

  

Um Deus que busca a pessoa, para mostrar-lhe um caminho novo, caminho de fraternidade, justiça, partilha.

Caminho que é cruz, sim, mas ainda assim CAMINHO : que leva à Ressurreição , à superação dos egoísmos, das

desigualdades. "Somos uma seqüência de Paulo, e só queremos pregar a Cristo Crucificado, princípio de vida".

 

 

O Crucificado está hoje presente nos crucificados que o Sistema prega nas cruzes da exclusão, da fome, da doença,

do desemprego, do abandono, das dependências tóxicas, das filas, do analfabetismo, do não - direito à vida. Toda a

vida do povo faz parte da oração diária das Missionárias de Jesus Crucificado: a Paixão de ontem que acontece hoje;

a Ressurreição de ontem que mantém viva e firme a esperança nas ressurreições de hoje.

 

 

Onde está esta certeza? Na Palavra do Senhor, que se mostra real e eficaz, no dia a dia.

 

 

Esta busca de força e de esperança é que alimenta a vida missionária. Ela é o " pé dentro ". "As senhoras, em sua

vida contemplativa e de apostolado, são como quem tem um pé no mundo e outro no convento".

 

MARIA, a "outra" MARIA.

 

Desde o início a devoção a Maria, Mãe de Jesus, foi fortemente inculcada, em cada Missionária de Jesus Crucificado.

Solidárias, como Maria, que não deixou faltar o vinho da vida, que alegra, restaura a confiança e a esperança de um

mundo novo de igualdade, de mais vida para todos.

 

 

Maria que comungou da Paixão do Cristo, de Sua Ressurreição e é, hoje, a Mãe da Igreja, solidária com tantas Marias

que sofrem.

 

 

Para imitá-la, querem as Missionárias ser solidárias também. Querem ser Maria-serviço, Maria profetisa da

Libertação, sensível aos problemas do seu povo, Maria realizadora da Palavra, Maria fiel até à Cruz, Maria animadora

da Comunidade Cristã. Para isto, fazem o voto de proclamar o mistério da Virgem Mãe e, através dele, o mistério do

Cristo Redentor. Prometem falar, de modo especial, de seu amor de Mãe de Deus e Mãe nossa.

 

 

MANSIDÃO

Numa sociedade que se torna cada vez mais violenta, parece importante refletir sobre a bondade e a mansidão de

Madre Maria Villac. Sua mansidão impressionou Dom Barreto, que percebeu o quanto esta virtude era fecunda na

pastoral. Praticou-a, ele mesmo, em primeiro lugar, fazendo o voto de mansidão e, depois, estendeu-o a toda a

Congregação que, com isso, procura imitar Aquele que disse: - "aprendei de Mim, que sou manso e humilde de

coração".

 

 

CRESCIMENTO

Em 1941 faleceu Dom Barreto, repentinamente. Mas, deixou a Congregação fortificada e em pleno ardor missionário.

 

A Congregação cresceu muito, com a entrada de novos membros.

 

Em 1942 eram 524 Irmãs, em 28 Casas; em 1952, 1012 Irmãs, em 59 Casas e em 1962, 2.136 Irmãs em 127 casas.

 

Desbravaram sertões, no lombo de cavalos, em canoas, em boléias de caminhões, a pé. Cortaram o Brasil, nas quatro

direções.

 

 

Hoje, já sem a Fundadora, falecida em 1978, a Congregação tem sua fisionomia definida: contemplativas na ação,

vão em busca dos irmãos, sobretudo dos mais necessitados. Vão na força do Espírito, com a arma da mansidão e do  

amor a Maria .

 

 

Aprendemos cada dia! Crescemos cada dia! Tropeçamos e avançamos! A vida toda é um PROCESSO PERMANENTE de

formação, alimentado por retiros espirituais, cursos, ação missionária, avaliação e re-elaboração da prática, oração

diária, vida em Comunidade, convivência com o povo. A Missionária de Jesus Crucificado fundamenta sua

espiritualidade na Palavra de Deus, na Eucaristia, na oração pessoal e comunitária, na vida com o povo que vive a

Paixão e a Ressurreição de Jesus em suas dores, alegrias, lutas e organizações.